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Planta cultivada no Piauí é usada na produção de remédio contra glaucoma; substância é exportada para 80 países

  • 23 de jul.
  • 2 min de leitura

Uma planta cultivada em Parnaíba, no Norte do Piauí, é usada na produção de medicamentos contra o glaucoma distribuídos em dezenas de países. O jaborandi fornece a pilocarpina, substância utilizada principalmente na fabricação de colírios e produzida em uma indústria instalada no município, de onde é exportada para cerca de 80 países.


Segundo a empresa responsável pela produção, entre duas e três toneladas de pilocarpina deixam o Piauí todos os anos. No Brasil, o consumo é pequeno: cerca de seis a sete quilos permanecem no mercado nacional. Isso acontece porque a maior parte das indústrias que fabricam os medicamentos está no exterior.


A produção da substância começa no campo, em uma área de 33 hectares cultivada em Parnaíba. Embora o jaborandi seja uma planta nativa de áreas úmidas da Amazônia, pesquisadores conseguiram adaptá-lo às condições do semiárido piauiense por meio de técnicas de manejo, irrigação e controle da luminosidade.

"Ela [pilocarpina] é usada para fabricação de um colírio para glaucoma e também para medicamentos indicados para xerostomia", explicou a analista de botânica Letícia Martins Silva.

Além do jaborandi, a fazenda também cultiva a cordia, planta da qual são extraídos óleos utilizados na fabricação de pomadas e géis para aliviar dores musculares.


Exportação para 80 países


A pilocarpina produzida em Parnaíba é distribuída para cerca de 80 países. Os Estados Unidos foram um dos primeiros mercados a importar o insumo, e a China também está em processo de registro para começar a recebê-lo, segundo a empresa.

"Essa planta só produz pilocarpina no Brasil, por isso praticamente toda a produção é exportada", afirmou a gerente industrial Luciene Vasconcelos.


Da plantação à indústria


Após a colheita, as folhas seguem para a unidade industrial instalada em Parnaíba, onde passam por diferentes etapas até a obtenção da pilocarpina.


Segundo a gerente industrial Luciene Vasconcelos, o processo exige controle rigoroso de temperatura, pressão e do uso de solventes para evitar impurezas.

"Se não houver controle do processo, podem aparecer outras impurezas no produto final", explicou.


Depois da extração, o material vegetal utilizado retorna à fazenda para ser reaproveitado como adubo.


Antes da exportação, a pilocarpina passa por testes em laboratório que verificam a concentração da substância e garantem a qualidade do produto.


Cultivo ajuda a preservar a espécie


Além de abastecer a indústria farmacêutica, o cultivo em Parnaíba busca reduzir a pressão sobre populações nativas de jaborandi, espécie que já sofreu com a extração inadequada.

Segundo o coordenador do Instituto Senai de inovação em química verde, Giovanni Bressiani Pedroso, o cultivo em escala industrial contribui para preservar a planta.


"O jaborandi chegou a ser ameaçado de extinção por causa da extração ilegal e incorreta das folhas. Em Parnaíba, conseguimos produzir a planta de forma sustentável e em escala industrial", afirmou.

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